domingo, 8 de setembro de 2019

Yuji Kobayashi X Yasuko Kobayashi - Contrastes e Convergências


Saudações.

Desta vez vou falar da conversa entre os roteiristas Yuji Kobayashi e Yasuko Kobayashi, no livro ヒーロー、ヒロインはこうして生まれる (HERO, HEROINE wa koushite umareru, ou "Assim nascem Heróis e Heroínas"), compilado por Toyoshi Inada.


A princípio, pode parecer que essa combinação foi uma brincadeira, afinal as únicas coisas que os dois têm em comum são o sobrenome (eles não são parentes) e terem trabalhando com Sailor Moon, embora em mídias diversas, e em GARO, em temporadas diferentes. Mas aqui foi possível ver vários contrapontos. Yasuko é seca, contida, enquanto Yuji é empolgado e até apaixonado pelo ramo. No começo, Yasuko não tem tanto entusiasmo para falar, mas depois começa a discorrer sobre vários assuntos.



Anime e Tokusatsu

Um assunto abordado é a diferença entre se fazer roteiros para desenhos animados e para séries de Tokusatsu. Eles comentam que muita gente acha que fazer roteiros para desenhos animados parece ser mais fácil do que para Tokusatsu, por aparentemente permitir uma maior liberdade de imaginação, mas não é bem assim.

Yuji comenta que para se fazer em um desenho animado, por exemplo, uma cena em uma estação espacial, seria necessário procurar por um artista capaz de desenhar essa estação de forma convincente. Colocar no roteiro algo como "um exército que cobre todo o terreno" também é algo bem difícil de se transpor para a animação por demandar muita mão de obra.

E ainda, em um desenho animado, uma cena trivial como um almoço ou um jantar requer desenhar milhares de fotogramas, enquanto em um Tokusatsu é muito mais simples de se fazer, colocando os atores para comer alguma coisa. Por outro lado, em desenhos animados é possível montar vários capítulos de uma só vez, com múltiplos setores fazendo os roteiros e as animações paralelamente. E em Tokusatsu, as gravações dependem muito da disponibilidade dos atores, que são únicos.

Existem também cenas em que o personagem fica calado diante de uma situação, as famosas "reticências" ("......"). Em roteiros para desenhos animados é necessário descrever exatamente como é a expressão que o personagem faz nessa hora, enquanto que em Tokusatsu é possível contar com a capacidade de improvisação do ator ou do diretor.

Em Tokusatsu existem cenas que são difíceis ou simplesmente impossíveis de serem gravadas, devido ora a espaço físico, ora a condições climáticas. Um exemplo é contado por Yasuko, de um episódio da versão em Tokusatsu de Pretty Guardian Sailor Moon. Seria a cena em que Ami Mizuno se torna a Sailor Mercury pela primeira vez que se passaria em um prédio de onde jorraria água como uma cachoeira. O diretor Ryuta Tasaki perguntou onde haveria um lugar como esse e teve bastante trabalho até encontrar algum com essa descrição. Yasuko conta que o diretor até hoje faz piada com isso. Yuji também conta que quando escrevia Ultraman Ginga S, o então presidente da Tsuburaya, Shinichi Oooka vinha ler os roteiros e em alguns comentava que seria difícil filmar, baseado em sua experiência como operador de câmera.

Ou seja, para se fazer roteiros, tanto em Anime quanto em Tokusatsu, é preciso ser realista e pensar se é possível fazer as cenas. Mas também é dito que ninguém tolhe a liberdade criativa do roteirista e inclusive até incentiva a sempre pensar alto.

Os dois também comentam sobre as diferenças entre um diretor de Anime e um de Tokusatsu. Os de Anime geralmente são tímidos, falam baixo e não chamam muito a atenção. Mal dá para saber quem é o diretor na equipe. Natural, já que se trata de um ambiente de trabalho em que é necessária concentração para se produzir os desenhos e tudo pode ser resolvido em reuniões.

Já em Tokusatsu é o contrário, em que os diretores falam alto e são do tipo que se encontraria em um time de esportes, o que é necessário levando em consideração que ele tem de dar instruções em campo a várias pessoas, no meio das filmagens, no meio da ação.

Mesmo assim o diretor tem muito mais importância em desenhos animados que em Tokusatsu, já que tudo deve ser feito do zero, literalmente de uma folha em branco, desde os personagens até a história.


Tsuburaya e Toei

Yuji fala sobre as diferenças entre escrever para a Tsuburaya e para a Toei. Enquanto em Ultraman é dada ênfase ao monstro e aos acontecimentos, assim como o processo para se resolver os problemas, na Toei é dado mais destaque aos personagens, especialmente os heróis, com histórias que contam sobre as interações entre eles e o seu desenvolvimento. Yasuko por outro lado, comenta que mesmo dentro da Toei existem diferenças entre as franquias. Em Super Sentai é mais fácil de se escrever, pois existe uma estrutura de roteiro predefinida (Ação 1, Ação 2, Robô gigante), mas Kamen Rider não tem uma, o que dá mais trabalho.

Existem outras diferenças entre a Tsuburaya e a Toei, desta vez em relação às condições de trabalho. Na Tsuburaya, atualmente, as séries são curtas e por isso é necessário ter os roteiros prontos antes das filmagens. Na Toei, em que as séries são mais longas, é possível fazer ajustes no meio do caminho.

E ainda, é revelado que a Toei não costuma colocar um Compositor de Série em suas obras de Tokusatsu. É porque, como mencionado anteriormente, em desenhos animados é possível encomendar roteiros e montar as cenas para até cinco episódios paralelamente. Para isso é preciso ter um Compositor de Série para coordenar a criação das histórias e garantir a continuidade. Mas em Tokusatsu, só é possível filmar um episódio de cada vez e por isso não existe a necessidade de um Compositor de Série. Basta ter um Roteirista Principal, que faria o enredo básico.

É contado que a empresa de brinquedos entra apenas com os visuais e os mecanismos do cinto. Os conceitos, o contexto em que ele é usado ficam a cargo do roteirista. Yasuko conta que na época de Kamen Rider OOO, só havia o design do cinto e as medalhas, no começo. O que elas seriam exatamente, nesse caso componentes dos monstros Greeeds, foi decidido em reuniões com os roteiristas, os produtores e diretores.

Yasuko pergunta a Yuji sobre como é na Tsuburaya, e que a empresa mudou seu estilo recentemente. Yuji explica que antigamente as histórias nas séries Ultra eram auto-contidas, de um só episódio cada. As fabricantes de brinquedos eram deixadas para escanteio, já que na época a ligação com a Bandai não era tão estreita. Mas agora existem esquemas de lançamentos de produtos e até mesmo pedidos de que monstro deve aparecer em determinado episódio. Faz sentido, uma vez que os produtos das séries Ultra são baseados nos monstros. Tudo é definido antes até da composição da série, que nesse caso é necessária, já que a Tsuburaya filma vários episódios de uma vez, em pouco tempo. E também por isso, todos os roteiros já devem estar prontos antes mesmo de começar as gravações.


Criando Roteiros

Fazer um roteiro não é tarefa fácil. Nem sempre ele fica como foi planejado no início, na etapa do rascunho. Yuji e Yasuko comentam que às vezes a cena descrita não pode ser filmada, ora devido a restrições de orçamento, ora de não ter um lugar ideal para representá-la. E para se fazer os roteiros são feitas reuniões com a equipe para definir seus rumos, se é possível realizar e outros aspectos. Todos dão ideias e é aí que surgem mais mudanças até o produto final, algumas feitas pelos próprios roteiristas, que acabam tendo uma outra ideia. E eles mesmos reescrevem várias e várias vezes.

Ou seja, um roteiro não é escrito por uma só pessoa. Tanto Yuji quanto Yasuko comentam que o trabalho nunca é aprovado de primeira e que têm sempre que revisar e escrever novamente, até dez vezes se for necessário. Existem discussões e inclusive conflitos, mas é o diretor quem tem a decisão final. Mesmo durante as filmagens são feitas mudanças de última hora e com isso o resultado acaba saindo diferente do que o roteirista imaginava originalmente.

Outro fator adverso é o tempo. É necessário cumprir prazos e em Tokusatsu em especial, às vezes surgem alterações que devem ser feitas na última hora, pois não foi possível filmar a cena. Tanto Yuji como Yasuko confessam que algumas vezes tiveram que entregar trabalhos com pontas soltas por conta disso.

Mesmo assim eles também colocam seus gostos. Yasuko, por exemplo, gosta muito de filmes e seriados de samurai e por isso, seus vilões falam como personagens dessas obras. Exemplos seriam Don Dornello, de Timeranger e o Imperador das Trevas Z, de ToQger. Já Yuji tende a criar personagens que se dedicam a suas missões sem dizer muita coisa e contendo seus impulsos e emoções. Um exemplo seria Sho, o Ultraman Victory, que luta por seu povo subterrâneo, mas não deseja se envolver com os habitantes da superfície. E Kouga Saejima, de GARO, que cumpre sua missão como Cavaleiro Makai.


Onde os aspirantes falham

É comentado que atualmente é difícil a entrada de iniciantes em Tokusatsu. Antigamente, essas séries não tinham tanta projeção e por isso era possível fazer apostas, como foi feito quando os dois foram chamados.

Yasuko conta como entrou no ramo. Ela viu um episódio de Esquadrão Especial Winspector (seria o 25, "O Robô Apaixonado") e ficou surpresa ao ver que histórias como essa poderiam ser feitas em seriados infantis. Anos mais tarde, Yasuko mandou um rascunho de roteiro de Exceedraft para a Toei, endereçando para o setor de opiniões sobre o seriado. Esse rascunho foi parar nas mãos do produtor Nagafumi Hori, que então contatou Yasuko e a aconselhou a estudar sobre composição de roteiros. Ela seguiu esse conselho e mais tarde estreou no ramo escrevendo o roteiro do episódio 40 da série Janperson.

Nessa, Yasuko e Yuji comentam que muita gente faz o que Yasuko fez. Mas muitos são gente que diz, por exemplo, que gosta de Tokusatsu, mas que no fim são apenas entusiastas. E os rascunhos e roteiros mandados por eles são um amontoado de conceitos, sem contar uma história. Esse é o grande ponto em que muitos aspirantes ao ramo falham.

Yasuko teria apresentado Kento Shimoyama (roteirista principal em Ninninger e Kamen Rider Zi-O) e Nobuhiro Mouri (idem em Kyuranger) para a Toei exatamente por eles não serem muito familiarizados com Tokusatsu. O público-alvo são crianças pequenas e por isso não é preciso se perder em explicações. O grande ponto é fazer algo que seja divertido. E fazer um programa de Tokusatsu para agradar só quem gosta de Tokusatsu acaba tornando as coisas herméticas, tediosas. O mesmo vale para Anime.


Roteiristas não podem ser felizes

Um fato interessante é que os dois comentam que uma pessoa que é feliz não pode ser roteirista, algo que foi dito pelo diretor Ryuta Tasaki. É preciso ser um pouco problemático para se escrever, para ter vontade de fazer isso. Muitas vezes a inspiração vem da solidão, da melancolia. Uma pessoa realizada na vida acaba perdendo a capacidade de fantasiar. Eles mencionam o Grande Mestre Go Nagai, que depois que se casou, reduziu o erotismo de suas obras.

É contado como outro exemplo, sem dar nomes, o de um ex-roteirista que se tornou diretor e ao encontrar um ambiente mais movimentado, em que dava para se comunicar com outras pessoas, perdeu o interesse em escrever. Quando a pessoa encontra outras coisas que lhe dão satisfação, não se interessa mais em escrever histórias.

Assim como Toshiki Inoue e Gen Urobuchi, eles demoram bastante para escrever e acabam entregando o trabalho muitas vezes na última hora. Ambos não conseguem definir horários, às vezes ficam sem ideias e acabam se dispersando em outras atividades como responder e-mails. E admiram Riku Sanjo por ser capaz de escrever bem rápido e ainda por cima sem precisar de muitas correções. Junki Takegami também é elogiado por ser disciplinado e escrever em horários definidos.

Yuji ouviu uma vez que "quem consegue escrever três linhas depois das refeições é um verdadeiro roteirista". Mesmo assim os dois gastam a maioria do tempo pensando e tentando definir os roteiros. Algumas vezes eles ficam sem ideias e Yasuko compara isso a tentar torcer um pano seco para ver se sai alguma gota. E quando não conseguem entregar na hora, vão afogar as mágoas com os outros roteiristas da equipe.


Gênio e Esforço

Nessa conversa deu para ver bem a diferença entre um roteirista esforçado e uma genial. É certo que ambos trabalharam bastante para chegar aonde chegaram, mas existe realmente uma diferença.

Yuji tem entusiasmo e desejo de escrever para vários gêneros, especialmente aqueles para os quais ele nunca escreveu. Um exemplo é 中学生日記 (Chuugakusei Nikki, algo como "Diário de um Ginasial"), uma novela juvenil, bem diferente dos seriados de Heróis, pelos quais Yuji é famoso. E essa experiência foi benéfica, já que suas histórias ganharam mais humanidade.

Yasuko por sua vez não tem um objetivo definido a não ser o de escrever algo divertido. Tanto que ela comenta que talvez fosse diretora se conhecesse esse ramo antes de se prestar a escrever. E em uma entrevista sobre Attack on Titan, Yasuko comentou que sua intenção não é a de ser fiel ao original, mas sim criar entretenimento. Ainda assim ela consegue escrever histórias envolventes, que algumas vezes causam desconforto, tocando na parte escura dos seres humanos.

Durante toda a conversa, Yuji acabava fazendo as vezes de entrevistador, pois estava diante de alguém que ele admirava e conhecia seu nome desde Gingaman. Ele elogiou seus trabalhos em Timeranger e Shinkenger, porém Yasuko, por sua vez, se limitou a dizer que não se lembra muito bem dessa época e tudo o que ela escreve logo esquece. Enquanto Yuji tem bastante "conhecimento de causa", Yasuko já não demonstra tanto interesse ou entusiasmo. Mesmo assim ela fez algumas perguntas sobre a Tsuburaya Productions, com a qual ainda não trabalhou.

Os dois são roteiristas de temperamentos diferentes, mas que concordam que o mais importante é escrever algo que entretenha os espectadores. O maior número possível e não um público restrito. E deram várias dicas valiosas para quem quiser se aventurar no ramo.


A última conversa do livro é entre Chiaki Konaka, das séries Ultra e Sho Aikawa, de Kamen Rider. Vamos ver se consigo fazer mais rápido desta vez. Mas é melhor não esperar muita coisa.

4 comentários:

  1. Ótimo texto, como sempre. Eis um assunto que realmente chama a minha atenção, a parte criativa de uma série ou filme.

    Acredito que já havia escrito anteriormente, mas não sou um grande entusiasta do Yuki Kobayashi. Não conheço nada do trabalho dele em animes, mas em tokusatsu pouca coisa que ele escreveu efetivamente chamou minha atenção.

    Mesmo a primeira temporada de Garo, que gosto bastante, acho que tem uma escrita simples. O destaque da série é o visual e a parte técnica comandada pelo Amemiya. Tanto é que o universo da série acabou se expandindo e tornando-se rico nas séries posteriores.

    Já a Yasuko Kobayashi é ótima. Já faz 20 anos desde o primeiro tokusatsu em que ela foi escritora principal, e continua afiada, como pôde ser visto recentemente em Amazons.

    Acredito que ela tem dois pontos muito fortes: a consistência no mundo que ela cria dentro da série; é praticamente impossível encontrar um furo grande em uma série em que ela seja a escritora principal.

    Outro ponto positivo é como ela consegue criar personagens bem escritos, com personalidades claras. Muita gente reclama que as séries dela tem uma "barriga" na altura dos episódios 20, 25. Mas acho que é justamente nesse ponto de "calmaria" (quando a introdução de quinquilharias da Bandai já não é tão intensa quanto no começo da série) que ela consegue se dedicar a reforçar as características dos personagens e desenvolver seus relacionamentos.

    Não li o mangá de Shingeki no Kyojin, mas o anime é ótimo até onde vi (Estou prestes a terminar a segunda temporada). Não tenho como falar o quanto ela e sua equipe injetaram de vida nos personagens ou o quanto já estava presente na obra original.

    Mas quando a Yasuko Kobayashi escreveu a série de Sailor Moon ela deu um show, entregando personagens adoráveis e com camadas, e uma história bem desenvolvida. Não li o mangá, mas ao fazermos a comparação da série com os arcos da Rainha Beryl no anime dos anos 90 e o da versão mais recente (Crystal), fica clara a superioridade do live-action (mesmo com os poucos valores de produção).

    Infelizmente acho muito difícil que roteiristas como Toshiki Inoue, Yasuko Kobayashi e Naruhisa Arakawa se dediquem a uma série tokusatsu como escritores principais novamente. Ao menos não as tradicionais, com duração de um ano e toda a exigência para colocar mil produtos dentro da narrativa. O futuro deles dentro do tokusatsu, caso exista, é mesmo com produções destinadas a um público mais velho, em projetos como Amazons ou Space Squad.

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    1. Obrigado, Ricardo!

      Yasuko Kobayashi é um daqueles gênios que são bastante raros e difíceis de aparecer. Me lembro de uns tempos atrás, na época de Kamen Rider Ryuki, em que havia gente que duvidava de sua capacidade por ela nunca ter escrito sobre Kamen Rider. Acho que agora eles devem estar mordendo a língua.

      E a Yasuko é bem versátil, considerando que ela escreveu Den-O e Amazons. Mesmo ToQger, que é detestado por alguns, eu achei bem feito, em que ao se desvendar um mistério, logo surgia outro.

      Eu admiro o Yuji por seu esforço, realmente, e sua vontade de aprender e de passar esse conhecimento. Me impressionou bastante a versão em romance de Smile Precure!, na qual ele conseguiu captar a essência das personagens e também à verossimilhança dada às situações que elas enfrentaram. Um relato muito vivo, convincente, humano. E que conseguiu resumir a série.

      Fico pensando se um dia não sai mais um livro desses, com Riku Sanjo, Keiichi Hasegawa, o próprio Naruhisa Arakawa, a Michiko Yokote, a Reiko Yoshida... Eles devem ter bastante história para contar.

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  2. Interessante esse papo! É curioso o Yuji ser mais empolgado e a Yasuko mais fechada, pois pelas respectivas temporadas de GARO que cada um roteirizou parece que as personalidades são contrárias, já que o primeiro GARO é bem mais sombrio e contido do que o MAKAISENKI que é um pouco mais explosivo e super heroico, além de expandir mais o universo da série.

    Isso de ser difícil de fazer roteiros para desenhos era algo que eu já tinha meio que percebido em uma palestra sobre quadrinhos, onde diziam que cenas mais grandiosas requerem muito mais tempo e detalhes do desenhista, mais arte-finalistas e mais coloristas, além de uma paleta de cores mais ampla, fora o planejamento para enquadrar tudo. Então já dava pra ter uma ideia de como seria ainda mais complicado para um desenho animado, e Shirobako mostrou que definitivamente é mais complicado.
    Em um Tokusatsu, enquanto o ator está na frente da câmera ele pode fazer praticamente tudo que a cena requer, enquanto em um desenho animado para um personagem fazer algo várias pessoas precisam trabalhar nos desenhos, animações, e cores. Acho que essa é a parte mais difícl de fazer um roteiro, pois tem que pensar quanto tempo e despesas cada cena que se está escrevendo vai consumir, não dá pra simplesmente sair escrevendo tudo que dá vontade. E pensar que tem gente que acha que fazer roteiros é apenas botar as ideias em um papel...

    Mas realmente, a animação tem a grande vantagem de não precisar de locações e objetos, tudo se cria, algo que é muito útil. O legal é que esses dois roteiristas têm propriedade para falar de ambas as áreas, já que trabalham em tudo.

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    1. Obrigado, Ronin!

      A Yasuko só escreveu um capítulo de MAKAISENKI, o 5º. Mas o Yuji escreveu quase todos os da primeira série. E os dois sabem escrever tanto drama quanto ação ou comédia.

      De fato, para se fazer roteiros é preciso ter um pé no chão. Não basta só dizer "vai lá e faz" (mesmo porque isso é trabalho do diretor). Por isso tem tantas reuniões e discussões. Como eles dizem, nunca fica como planejado originalmente. E foi interessante ver que ambas as mídias têm suas vantagens e desvantagens.

      Em Anime dá para "voar" um pouco mais, criar mundos imaginários como nos chamados "Isekai", que seriam difíceis em Tokusatsu. Mas ainda assim eles conseguem fazer umas manobras boas como em Kamen Rider Gaim, com um mundo bem fantasioso.

      Apesar da visível diferença, respeito bastante tanto o Yuji como a Yasuko. O Yuji porque foi ele quem me ensinou como as coisas funcionam de fato nos bastidores. A Yasuko por seu currículo, que ambos conhecemos. Gente que realmente sabe das coisas.

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