segunda-feira, 8 de outubro de 2018

劇場版ウルトラマンジード つなぐぜ!願い!! - Ultraman Geed - O Filme - Conecte os Desejos

Saudações.

Desta vez vou falar do especial de cinema, 劇場版ウルトラマンジード つなぐぜ!願い!!(Gekijouban ULTRAMAN GEED - Tsunaguze! Negai!!, algo como "Ultraman Geed - O Filme - Conecte os desejos"). Abaixo segue um resumo e impressões.


Obs.: contém revelações sobre os rumos da trama.




A história começa no planeta Ksia, com Airu Saderuna e seu pai, Buran, fugindo de um robô-monstro Galactron, das forças de Gilbaris, uma inteligência artificial cujo objetivo é o de destruir todas as formas de vida inteligente do Multiverso. Os dois são atacados e Buran fica preso em escombros. Ele confia à sua filha um item, o Giga Finalizer, que é a chave para derrotar Gilbaris e faz com que ela fuja.

Buran (Kai Shishido, que também foi Orion, em Kyuranger e o capitão Hijikata em Ultraman Max)
Airu (Yuika Motokariya)

A nave de Airu cai na Terra, nos tempos antigos, no lugar que mais tarde seria Okinawa. Lá, ela se maravilha com a beleza do local e é encontrada pela Fera Guardiã da Terra, Gukuru Shisa. O pingente de Airu faz com que ela perceba que a Fera não é maligna. E assim, Airu pede para que Gukuru Shisa a ajude a encontrar o Herói capaz de usar o Giga Finalizer.

O encontro com Gukuru Shisa no lugar que se tornaria Okinawa

A cena muda para o tempo presente. Moa e Zena, da AIB (Alien Investigation Bureau) vão investigar um objeto voador, que cai na Terra. Lá, eles se encontram com Juggrus Juggler, o rival de Gai Kurenai, o Ultraman Orb. E logo em seguida, surge um Galactron MK2 (Mark Two) que os ataca. Riku Asakura/Ultraman Geed aparece logo em seguida e enfrenta o robô-monstro, mas seus ataques não surtem efeito e acaba caindo em desvantagem diante do enorme poder de fogo do inimigo, que depois de um tempo, simplesmente para de lutar e vai embora.

A AIB: Agente Zena (Hideyoshi Iwata) e Moa Aizaki (Mayu Hasegawa)
Juggrus Juggler (Takaya Aoyagi)
Geed tenta lutar, mas não consegue fazer nada.

Enquanto isso, no Planeta Ultra, na Nebulosa M78 em outro universo, o Pai dos Ultras ouve o relatório de Zoffy sobre o ataque de Gilbaris. A Ultimate Force Zero também luta contra essa ameaça e entre eles está o Ultraman Zero, que até então estava no universo de Geed e voltou recentemente.

Os Ultras de M78
Ultraman, Zoffy (Hideyuki Tanaka), Ultra Seven,
a Mãe dos Ultras (Masako Ikeda) e o Pai dos Ultras (Tokuma Nishioka)
Ultimate Force Zero
Jean-Nine (Miyu Irino), Jean-Bot (Hiroshi Kamiya), Ultraman Zero (Mamoru Miyano),
Glenfire (Tomokazu Seki) e Mirror Knight (Hikaru Midorikawa).

A performance de Geed na luta contra o Galactron é avaliada negativamente pela imprensa e pela população. Riku se sente frustrado por não ter conseguido fazer nada. Justo ele que é o único Ultraman de seu universo e por isso deveria poder defendê-lo. Ele contata Moa na AIB (Alien Investigation Bureau) para conseguir mais informações, e nisso Juggler surge diante deles mais uma vez e explica a situação. Ao espionar o inimigo, ele descobriu que Gilbaris está procurando por algo, o único item que pode destruí-lo, chamado de "O Ferro Vermelho".

Riku/Ultraman Geed (Tatsuomi Hamada), frustrado com críticas da imprensa.
Pega (Megumi Han) e Raiha (Chihiro Yamamoto), preocupados com Riku.

A AIB pesquisa e descobre que o Ferro Vermelho está em Okinawa. Riku e seus amigos então partem na nave Neo Britannia. Riku, Raiha, Moa e Juggler vão à cidade em busca de informações e se deparam com uma dança de rua local, a Eisa. Entre as pessoas dançando está Leito Igaguri, que um dia foi o hospedeiro do Ultraman Zero e os ajudou na luta contra Belial. Leito teria vindo a negócios e é apresentado a Juggler, que demonstra certo interesse nele (ou melhor, encontrou um novo brinquedo). Depois que lhe contam sobre o motivo da vinda a Okinawa, Leito diz que conhece uma pessoa que pode ajudar. Uma moradora do local que sabe muito sobre a cultura chamada Airu Higa. 

Eisa. Dança de rua de Okinawa.
Mas aquele é...
Leito Igaguri (Yuta Ozawa) é vítima do "Movimento das Trevas" de Juggler.

Riku e seus amigos se apresentam a ela como um grupo de pesquisa de folclore. Airu então os leva ao local onde estaria o Ferro Vermelho. É um artefato petrificado semelhante a um haltere, diante da estátua de um Shisa, a fera sagrada de Okinawa. De acordo com Airu, o Ferro Vermelho só mostra seu verdadeiro poder se empunhado pelo "Guerreiro escolhido, que tem um coração justo". Raiha, e depois Juggler, pegam o artefato, mas não acontece nada. O Galactron MK2 aparece novamente e Riku tenta se transformar, mas é atacado e não consegue. Airu então invoca o Gukuru Shisa, dando tempo para todos fugirem na nave.

Airu Higa. Ei,mas essa é...
Moa diante de uma rival em potencial.
O "Ferro Vermelho",  diante da estátua de algo que parece ser um Shisa.
Juggler faz uma tentativa, mas é rejeitado (de novo).

Airu conversa com Riku, mostrando afinidade em um ponto inesperado. Ela explica que o Ferro Vermelho, o Giga Finalizer, foi feito por seu povo como a contraparte de outro artefato, o Giga Battlenizer, usado por Belial. Riku tenta ativar o artefato, mas não há nenhuma reação. Ao ver que Riku não era o "Guerreiro Escolhido", Airu desaparece.

Um curioso interesse em comum.
Riku tenta, mas nada acontece.

Em busca de mais informações, Riku e seu grupo então vão a um local onde alienígenas moram ilegalmente na Terra. Moa e Zena vão ver um informante, enquanto Riku, Pega, Raiha, Leito e Juggler vão a um bar. Lá, eles se metem em uma briga e nessa hora é ouvida uma música de gaita tocada por um andarilho. Ele é Gai Kurenai, o Ultraman Orb.

Não é a "Cidade" de ULTRAMAN.
O dono do bar foi interpretado por Nobuyuki Kase, que participou de vários filmes das séries Ultra.
- E aí, gatinha? Quer dar um rolê comigo?
- Er... Para sua segurança acho melhor não...
Xi! Sujou!
Chihiro Yamamoto conta que sempre quis fazer uma situação assim, em que um valentão mexe com uma
garota que na verdade é forte e dá uma tremenda surra nele.
Surge um vagabundo andarilho.
Ele é Gai Kurenai (Hideo Ishiguro), o Ultraman Orb.
Herói encontra herói.

Depois de resolver a briga, o grupo  se encontra com um informante, um Alien Jacky chamado Aaron. Em troca de dinheiro, ele dá pedaços da história do planeta Ksia, que há dezenas de milhares de anos construiu Gilbaris como um  sistema de inteligência artificial para garantir a paz no universo. Mas Gilbaris chegou à conclusão de que para cumprir esse intento era necessário exterminar todas as formas de vida inteligentes de todo e qualquer universo. Então, a entidade criou os Galactrons e extinguiu o povo de Ksia, sendo que Airu é a única remanescente.

Aaron (Jackie Chang), um Alien Jacky informante.
Será que todos do planeta dele se parecem com Jackie Chan?
Gilbaris (Katsuyuki Konishi) e suas tropas Barisraider.

O planeta Ksia se materializa no universo de Riku, englobando a Terra. Dali surge mais uma vez o Galactron MK2. Riku e Gai se transformam para deter a ameaça, que é forte demais. Ultraman Zero chega a tempo para se juntar a eles. Mas devido à impulsividade de Riku e de sua ânsia em tentar proteger este mundo, ele acaba se pondo em perigo. E Orb e Zero têm de se sacrificar para salvá-lo.

O planeta cibernético Ksia aparece envolve a Terra.
Surge o Galactron MK2... bem na hora da reprise do Don Shine!
Geed (Primitive) e Orb (Spacium Zeperion)
Ultraman Zero chega na última hora, já que todo Herói faz isso.

O Galactron MK2 é destruído, mas o preço a se pagar foi alto demais. Isso abala Riku, que se arrepende de não ter ouvido os conselhos de Gai. Gilbaris desta vez manda um exército de Galactrons para destruir a cidade e soldados Barisraider para matar Riku. Juggler usa o pingente de Airu para ficar gigante e tentar deter os Galactrons, junto com Gukuru Shisa, mas...

Zero e Orb se sacrificam.
- Eu não mereço ser Ultraman! Não sou herói coisa nenhuma!
Um exército de Galactrons.
E Riku não pode se transformar pois precisa de vinte horas para recarregar sua energia. Mas mesmo assim...
Juggler e Gukuru Shisa tentam deter a invasão, mas...


Depois da Conquista

O filme conta eventos que aconteceram depois da série de TV, quando Riku foi finalmente reconhecido como Guerreiro Ultra e como Herói pelo povo da Terra, que é o que ele  sempre quis. Riku conseguiu superar sua sina de ser o filho de um dos maiores vilões do Multiverso e mudar seu destino. E com isso, ele conquistou seu grande objetivo na vida.

Mas agora, ele vê que ser Herói não é fácil. Depois que Zero partiu, ele se tornou o único capaz de defender seu mundo. É necessário lidar com a opinião pública, que espera que ele sempre vença (o que de fato é preciso). Essa pressão é grande demais para Riku, que só tem 19 anos de idade, e que ainda se irrita quando algo não dá certo. Em sua imaturidade, ele tenta se fazer de forte e resolver tudo sozinho, exigindo demais de si mesmo. Ou seja, ele passa por uma "Síndrome de Herói", movido pelo seu senso de responsabilidade excessivo. O grande tema desta vez é "o que há depois da conquista".

Gai lhe dá conselhos, baseados em sua experiência como andarilho. Ele conta que tentava se manter distante das pessoas, por ter medo de se apegar a elas e de perdê-las. Mas isso era algo que só estava dentro de sua cabeça. O Ultraman não é um ser perfeito e existem coisas que ele não consegue fazer sozinho. E que Riku precisa relaxar e pegar mais leve consigo mesmo. Mas no fim, a impulsividade do jovem herói em "abraçar o mundo" acaba trazendo resultados catastróficos. E ele cai em depressão chegando a dizer que não merece ser Ultraman.

- Conheço uma casa de banhos muito boa por aqui. Que tal irmos até lá?
Gai gosta de tomar banho em termas. Um elemento que não foi esquecido.

Nisso, Airu faz com que ele se lembre do porquê de lutar. De como ele chegou até onde chegou. Riku não está sozinho. Todos os que o acompanharam em sua jornada para mudar seu  destino estão com ele. As frases de encorajamento ditas por seus companheiros são as mesmas de quando ele assume cada forma. E é com isso que Riku consegue se lembrar de como conseguiu superar os desafios para ser um Ultraman. Graças a quem ele chegou na posição que ocupa agora.

- Riku! Acreditamos em você! Estamos preparados para o que der e vier!
A frase da forma Primitive
- Vamos nos esforçar! Com uma Coragem Ardente!
Remete à Solid Burning
- Não há limites para você, então...
Referência à forma Beyond do Zero.
- ... vamos mostrar o Impacto!
Acrosmasher
- Riku! Proteja a Luz da Esperança de todos!
Magnificent
- Você é um homem que conseguiu mudar o seu destino!
Royal Megamaster
- Gente parada Dorme no ponto.
A filosofia de vida de Riku. E o que dá o seu nome de Ultraman.
Essa sequência foi muito bem pensada.
- Eu vou ficar mais forte!
A resposta de Riku é com parte da letra da música-tema, GEED no Akashi.
E empunhando o Ferro Vermelho como se fosse um haltere, ligando à cena do começo do filme.

Novamente, Tatsuomi Hamada fez um excelente trabalho ao interpretar o personagem. Riku tem um enorme poder e realizou um grande feito, mas no fundo ainda é um menino. Foi bem representada a sua imaturidade diante de críticas negativas e de situações limite, assim como sua dificuldade para lidar com a pressão de se ser um Herói. Em várias situações ele tenta se fazer de forte e se impor, mas sem sucesso, o que é bem típico do personagem e de certa forma seu maior charme. Segundo Chihiro Yamamoto, enquanto Gai/Orb é o Herói que todos querem ser, Riku/Geed é o Herói por quem todos torcem. Aquele Herói cheio de defeitos e carências, mas que se desenvolve e fica cada vez mais forte. E Yamamoto  já expressou preferência por Riku.

Cena do começo do filme. Levantando peso por achar que tem que se esforçar porque está sozinho na luta.
Não sei não...
Herói que é Herói pede leite em um bar barra pesada. E tem que ser quente.
Assim como fez Ryu Tendo, o Red Hawk de Jetman



Conectando os Desejos


O filme foi dirigido pelo grande Koichi Sakamoto, famoso por suas cenas de ação e por sua paixão por Heróis de Tokusatsu. E ele não decepciona. Sakamoto sabe muito bem o que os fãs querem ver na tela e realiza esses desejos. Isso pode ser visto nas cenas de luta, com várias mudanças de forma no caminho. E são feitas aquelas combinações que todo mundo já imaginou. Como por exemplo, colocar o Geed lado a lado com o Orb na forma Thunder Breastar, em que um dos componentes é Belial.

As características de cada forma são bem utilizadas. A Orb Trinity, do especial de cinema de Orb, tem um poder do Ultraman X que não se imaginava que era possível. E existe uma forma obscura de um dos Heróis que se torna a chave para se resolver uma situação crítica.

- Ei! Parece comigo!
- Não ligue.
Geed Acrosmasher, Luna Miracle Zero e Orb Hurricane Slash.
Azul + agilidade

Sakamoto não participou da série de TV de Ultraman Orb. Pelo visto, ele não se satisfez com Ultra Fight Orb e quis tirar o atraso. As cenas de transformação de Gai foram totalmente refilmadas, com novos efeitos. A cena de transformação dupla com Riku foi feita especialmente para este filme. E ficou espetacular, de encher os olhos.

Fusion Up + Fusion Rise = Perfect Match!
A transformação da Orb Origin, refeita especialmente para o filme.

Em outra cena, Orb é pego por um Galactron do mesmo jeito que em sua série de TV. Mas ele consegue se libertar e vencer o inimigo que um dia o derrotou, demonstrando que se desenvolveu desde então. Como fizeram os Ultras Clássicos em Ultra Fight Orb.

Zero também tem vários novos efeitos, como a transformação para a forma Zero Beyond e o golpe especial Bulky Chorus, em distância zero do inimigo e com a  câmera circundando, marca registrada de Sakamoto.

Câmera movendo em 360° ao redor dos personagens. Marca registrada de Koichi Sakamoto.
E o favorito dos atores, conforme eles contam no canal com comentários em áudio.

Outra marca registrada de Koichi Sakamoto é a de colocar os atores para fazer as cenas de luta sem dublês. Isso acontece em duas ocasiões e eles se saem bem. Chihiro Yamamoto já é tarimbada, assim como Hideo Ishiguro e Takaya Aoyagi. O mesmo pode ser dito de Hideyoshi Iwata, que também veste a roupa do Ultraman Geed. Mas um destaque especial pode ser feito para Yuta Ozawa, que consegue ser cômico quando é só o Leito e depois se transfigura completamente quando encarna o Ultraman Zero e luta de verdade. Uma habilidade que ele demonstrou na série de TV e mantém no filme.

Leito
Zero
Não só os movimentos, como o olhar muda completamente.

O grande mérito de Sakamoto foi o de conseguir mostrar uma ameaça cósmica a todo o Multiverso usando apenas cenas na cidade de Okinawa e algumas poucas no espaço. O clima de Fim de Mundo é bem representado com grandes cenas de destruição e a população fugindo em pânico. As linhas de comunicação são prejudicadas, como é mostrando em um telão exibindo um noticiário com falhas na imagem e nos quadros de movimento.

Uma edição bem feita com os Gaalctrons ndestruindo tudo no fundo.
Noticiário com imagem entrecortada e falhas nos quadros de movimento, mostrando que a situação é crítica.

As miniaturas foram feitas com esmero, esforço para representar a cidade de Okinawa, que tem uma arquitetura peculiar, com telhas laranja nas casas enfeitadas com estátuas de Shisa. E são feitos jogos de cena muito bons, usando o reflexo  da água.

Jogo de cena usando a imagem refletida na água.

Casa típica de Okinawa, sendo destelhada.
As telhas são vermelhas ao invés de pretas como no resto do Japão.
E existem miniaturas do Shisa.
Batendo o olho nem dá para ver que é uma maquete!

Outro ponto interessante é o design dos monstros. Todas as partes têm alguma função e não são meros enfeites. São armas que são utilizadas no combate. O último inimigo, Gilbaris, é literalmente um arsenal ambulante.

As barbatanas dos braços do Galactron MK2 são lâminas afiadíssimas.
E a espinha dorsal é um gigantesco machado de batalha.
Gilbaris tem tubos nas costas que parecem ser dissipadores de calor.
Mas na verdade são gigantescos canhões.
Gilbaris não foi feito em computação gráfica. Segundo Mayu Hasegawa, a fantasia é gigantesca.

E existe mais uma cena que provavelmente todo fã gostaria de ver. O (re)encontro com a Ultimate Force Zero. Tatsuomi Hamada participou do filme Mega Batalha na Galaxia Ultra, como o menino Nao, que "pilota" o Jean-Bot, um dos membros da Ultimate Force Zero. Esse desejo também é realizado e Sakamoto fez questão de fazer esta cena.

- Te conheço de algum lugar.
A reação de Riku é...?


Ligando os pontos


O roteiro ficou por conta de Toshizo Nemoto, que escreveu os episódios 14 e 15 da série de TV. E Sakamoto fez a supervisão de perto, dando várias ideias como é de seu feitio. Uma das intenções era a de mostrar uma "figura materna" para Riku, uma vez que a série de TV era a história da relação com seu "pai". Essa acabou sendo Airu, que tem coragem e determinação, e guia Riku para o caminho certo. No final ela não foi realmente uma "mãe", e sim mais uma "irmã mais velha" para o Riku, em um sentido diferente de Raiha e Moa.

O tempo é bem aproveitado e todos os eventos são explicados. O porquê de cada personagem estar em um determinado local e como isso aconteceu. Mas algumas informações que os heróis obtêm são repetidas sendo que Airu teria todas as respostas sobre o que é Gilbaris, seu objetivo e o que é o "Ferro Vermelho".

E era necessário justificar a presença de Orb no filme. Para isso, foi aproveitada uma ponta solta na série de TV de Orb, que seria a origem do Galactron. Quem o criou e quais eram suas intenções. Daí surgiu a ideia de uma inteligência artificial, Gilbaris, e isso foi conectado ao personagem de Airu, que seria da raça alienígena que a construiu.

Nesse processo, o Galactron não foi descaracterizado. Em Orb ele já tinha a missão de analisar civilizações e determinar se elas eram nocivas à paz no universo. Isso se alinha aos métodos de Gilbaris, que chegou à conclusão de que os seres inteligentes seriam um empecilho a esse objetivo e decidiu eliminá-los. Gilbaris apavora justamente por não ter más intenções. A inteligência artificial segue sua programação e exatamente por essa razão não há margem para diálogo.

Gai e Juggler também não sofrem nenhum tipo de descaracterização. Dá para ver que são eles mesmos quem estão lá, com o resgate de vários elementos. A relação entre os dois é bem representada, de confiança mútua, mas mantendo certa distância.

Sem Lamune não é Gai Kurenai.
Reencontro. Esta cena mostra bem a relação entre os dois.
- Qual é o seu plano, Juggler?
- Ah, eu fiquei com vontade de defender a Paz no universo desta vez.
Juggler prefere um café. E não deixa o sarcasmo de lado.
- GAI!!!
Mas faz essa cara ao ver Orb sendo derrotado.
Os atores comentam que se assustaram com esse grito no primeiro ensaio.

Juggler em especial tem bastante participação e apresenta uma inesperada química com Leito, que se torna seu brinquedo. Além da primeira, os dois têm muitas cenas cômicas, desenvolvendo uma estranha amizade. Uma pena que muitas das cenas de Juggler acabaram sendo apagadas do filme. Mas elas foram incluídas no disco especial de extras.

- Shall we dance?
Mas é só para usar Leito como uma arma para bater nos outros arruaceiros.
Será que é tradição usar caras de óculos para isso?

E também é resgatado o antigo livro Taihei Fuudoki, que está presente nas séries Ultra desde Ultraman X. Seria um registro com todas as lendas da Terra e que existiria em quase todos os universos. Em Geed, teria o registro da localização do "Ferro Vermelho". Em uma das cenas apagadas, Juggler menciona que no Fuudoki de Orb não haveria registro sobre esse artefato.

O Taihei Fuudoki em versão digitalizada, como em Orb. Direto dos arquivos da AIB.


As Belezas de Okinawa


Houve bastante tempo para mostrar as maravilhas de Okinawa, tanto naturais quanto arquitetônicas. E também o folclore e outras representações culturais. Na trilha sonora é usado bastante o Sanshin, um banjo de três cordas (daí o nome), instrumento típico de Okinawa.

A cidade de Okinawa
Monotrilho
Belezas naturais...
... e arquitetônicas.
Manifestações culturais, como o Eisa.
O que não pode faltar: ida a um restaurante local para provar o Goya Champloo e o croquete de algas.

Foram feitas pesquisas sobre as lendas locais que serviram de base para vários elementos do filme. Por exemplo, o "Ferro Vermelho" foi inspirado na história de uma espada capaz de cortar qualquer coisa. E a chegada de Airu à Terra remonta à cosmogonia de Okinawa, em que dois seres vieram dos céus e criaram a ilha.

O Gukuru Shisa é baseado no Shisa, um ente lendário de Okinawa e um de seus maiores símbolos. "Gukuru" significaria coração na língua de Okinawa e seria um contraponto a Gilbaris, uma máquina sem coração.

Isso que o Juggler segura na foto seria um Shisa.

As filmagens foram feitas em paralelo com o episódio 23 da série de TV, que também se passa em Okinawa. Fez sol o tempo todo e por isso tudo fluiu bem. Mas os atores comentam que estava um tremendo calor, com 30° C logo de manhã. Hamada contou em uma entrevista que não é chegado  em verão ou calor, preferindo ficar em casa lendo mangás e por isso deve ter sido um tremendo inferno para ele. Tanto que nas filmagens de bastidores, Hamada sempre aparece com um ventilador de mão e um guarda-sol. E teve até uma cena em que ele acabou se irritando de verdade, ao ficar deitado na areia quente. Mas Hamada é habilidoso e usou essa irritação para dar mais força à cena, que é a que Riku recebe a notícia de que Orb e Zero desapareceram.


Grande Seriado, Grande Filme


Eis aqui um filme que deu gosto de ver. Mesmo limitado ao espaço da cidade de Okinawa, com poucas tomadas no espaço sideral, ele conseguiu dar uma sensação de urgência, de perigo que pode destruir todo o Multiverso. Uma grandiosidade que se espera de um especial de cinema.

O tema é bem definido, contando mais do crescimento de Riku para se tornar um verdadeiro Herói. Ele aprende que tem seus defeitos e os aceita, assim como os de seus amigos. E que tudo isso foi o que fez dele o que é.

As cenas de luta são antológicas, com bastante movimento e muito bem coreografadas, com cada personagem se movimentando de acordo com sua personalidade. Raiha é treinada na luta e faz isso com desenvoltura. E um ponto interessante é que ela não usa sua espada contra civis na briga no bar, mesmo sendo arruaceiros. Zena é profissional, usando várias fintas, e ainda dá espaço para algumas tiradas cômicas. Riku e Pega lutam como podem. Gai é mais tradicional, usando toda a experiência que adquiriu. Juggler usa truques (e o Leito como arma). Moa até é treinada e usa artilharia, mas muito é na sorte mesmo. Leito é atrapalhado no começo, mas quando incorpora Zero se torna um lutador habilidoso. A briga no bar é um dos pontos altos do filme.

Curiosidade: de acordo com Hamada, nos comentários de áudio, o nome do bar seria MJ Galilei, que é uma referência ao seriado Mighty Jack, da Tsuburaya. "Galilei" é o nome de uma cafeteria que figura na série.

E existe bastante serviço aos fãs, mostrando as cenas que eles querem ver, junto com aquilo que Sakamoto quer mostrar. E também foram colocados muitos elementos sugeridos pelos próprios atores. Uma relação "ganha-ganha", mais uma vez conectando os desejos, o que remete ao título do filme.

Como era de se esperar os Ultras clássicos têm pouca participação. Uma pena que não deu para chamar Susumu Kurobe e Koji Moritsugu e por isso Ultraman e Ultra Seven não têm falas. Mas ao menos trouxeram de volta Masako Ikeda para ser a Mãe dos Ultras. Ikeda é dubladora de renome, mais conhecida por seu papel como Maetel em Galaxy Express 999 e consegue dar peso e ao mesmo tempo transmitir a bondade da personagem.

A participação de Orb e Juggler é justificada e soluciona um dos mistérios que foram deixados para trás. Eu pessoalmente preferiria que deixassem sem revelar a origem do Galactron, mas a explicação dada foi convincente o bastante. Eles têm sua parcela de participação, mas de modo a não tirar o brilho de Riku/Geed.

A atriz convidada, Yuika Motokariya, é muito boa, representando sua personagem, ora com bondade ora com severidade e também com força. Uma força para defender Riku quando ele precisa, mesmo arriscando sua vida. Daí a imagem de "Mãe", que foi a proposição original, embora pareça mais uma "irmã mais velha". A "primeira filha", considerando Raiha como a "segunda" e Moa como a "caçula". Assim como Hamada, ela entrou no mundo artístico quando era criança e por isso consegue dizer suas falas com desenvoltura e pondo a emoção necessária.

Este é um especial de cinema que ficou à altura do seriado, que foi um dos melhores da franquia. Que cometeu várias ousadias ao mostrar pela primeira vez nas séries Ultra um Herói que foi criado pelo maior vilão de todos. Um Herói imaturo, que consegue vencer seu próprio destino na série de TV e vai mais além no filme.

Acima de tudo, Ultraman Geed foi a história de um menino que queria ser Herói. E isso se torna um paralelo com a história de Tatsuomi Hamada, que queria ser o Ultraman desde pequeno. Esse momento está registrado no disco de extras e dá muito gosto ver que seus esforços foram recompensados e que ele finalmente conseguiu realizar seu sonho.

- Quando eu crescer, eu quero ser o Ultraman!
O início da Lenda.
O rosto de um homem que realizou seu sonho. E alçará voos maiores!

Agora é torcer para que ele volte no especial de cinema de Ultraman R/B. E também que os de X, Orb e Geed venham para cá um dia. Geed em especial é o verdadeiro capítulo final da história e recomendo para todos os fãs da série.

Nós todos somos Ultraman!
Sim! Todos os da foto, sem exceção!




Nos Bastidores




Estão incluídos materiais extras, como uma trilha de comentários dos atores, um disco com vídeos dos bastidores e cenas que foram removidas da versão final, além de um livreto com entrevistas e notas de produção.

Chihiro Yamamoto conta que uma de suas cenas favoritas foi a com o informante Aaron, interpretado por Jackie Chang, sósia japonês do divino Jackie Chan. Yamamoto, Chang e Sakamoto combinaram a cena, colocando muito de seus gostos. A atriz comenta que finalmente conseguiu realizar um sonho de recriar uma cena de um filme de Kung Fu que ela via quando era criança ao lado de Jackie Chan, mesmo sendo apenas um imitador. Ainda assim, trata-se de um sósia que foi reconhecido e aprovado pelo próprio astro.

Mayu Hasegawa conta que fez várias improvisações e sugestões no filme. Uma delas foi a cena com o informante em que ela se esquece de trazer o dinheiro. O diretor Sakamoto achou uma boa ideia para mostrar a relação entre Moa e o Agente Zena e aprovou no ato. Outra improvisação foi na cena em que Riku percebe sua fraqueza quando Zero e Orb se sacrificam para salvá-lo. Moa abraça Riku, mas isso não constava no roteiro e Hasegawa fez isso por sentir que é como a personagem reagiria naquela situação. E ainda, o hibisco no  cabelo também foi ideia dela.

Hideo Ishiguro comenta que sua participação no filme foi o resumo do personagem de Gai Kurenai e que conseguiu cumprir sua premissa original: um andarilho que vem, resolve um problema e depois parte sem dizer nada. Segundo Ishiguro, o elenco de Geed tinha um clima bem diferente de Orb. Em Geed, se pareceria com um clube estudantil com pessoas de ambos os sexos, enquanto que em sua época, era um clube de esportes em um colégio só de homens. Ele logo se entrosou com o time, até fazendo várias piadas com caretas.

Eu não sabia que Ishiguro era ator de Kabuki...

E igualmente entrosado estava Takaya Aoyagi, sempre bem humorado e que se tornou o centro das atenções. A ideia de Juggler agarrar Leito pela traseira foi dele, o que foi aprovado pelo diretor Sakamoto e nessa Aoyagi viu que os dois compartilhavam do mesmo senso de humor.

A prova de que a cena foi feita sem dublê.

Yuika Motokariya comenta que essa foi a primeira vez que ela trabalhou com tokusatsu e teve muito o que aprender. De fato, o diretor e os outros atores contam que ela se esforçava bastante para decorar as falas e quando aparecia um termo que ela não conhecia (Ex: "Giga Battlenizer"), perguntava para saber do que se tratava. Essa também foi sua primeira experiência com ação, usando uma adaga. Graças às instruções de Sakamoto, ela pôde fazer sem problemas.

Dando instruções a Motokariya.

May J, que cantou a música-tema 絆∞Infinity (Kizuna, "laços", "união") conta que ouviu uma vez de sua equipe que ela tem "a força para reconhecer sua fraqueza", o que inspirou a letra, feita por Yukinojo Mori, e casou bem com a situação de Riku. Segundo a cantora, essa canção seria a mensagem de Airu para Riku e isso pode ser bem visto na letra, que diz que "Minha força é pequena, mas se você vier comigo podemos mover o Futuro".

Também há vídeos de making em que dá para ver como foram feitas várias cenas e o trabalho que foi para filmar.

Cena do destelhamento. Primeiro são instaladas as telhas com cuidado.
Depois são instaladas cargas explosivas.
E mais uma sob um monte de terra para parecer que ela foi revolvida por um tremor.
Também é usado um aparelho para criar um vento. O resultado pode ser visto mais acima.
Jogando terra no meio da luta para dar uma ideia de impacto.
O diretor Sakamoto acertando com os alienígenas a cena da briga no bar.
Fantasias? Mas que fantasias?

E estão incluídas cenas que acabaram sendo removidas da versão final do filme. Curiosamente, muitas dessas cenas foram com o Juggler, mas não por serem impróprias, e sim por pura falta de espaço para os 72 minutos de filme. Em algumas delas, Juggler desenvolveria o hábito de puxar Leito pela gravata como se fosse uma coleira. E a ideia de ir ao bar no reduto alienígena teria sido dele. Mas em outra, é explicado por que Juggler simplesmente some quando Riku recebe a notícia de que Orb e Zero desapareceram.

A partir de agora você é meu bicho de estimação.
- O Gai não vai morrer desse jeito!
Palavras duras a Riku depois do desaparecimento de Orb. E em que dá para ver seus verdadeiros sentimentos.
Depois ele vai embora, o que explica o porquê de não estar na cena seguinte.

E também foram removidas partes em que Airu explica várias coisas. Por exemplo, que o Giga Battlenizer de Belial foi feito pelos Ksia. E também o propósito original de Gilbaris, de trazer Paz ao universo, assim como o nome alienígena completo de Airu. Tudo isso ajudaria a compreender melhor os eventos do filme, mas segundo Sakamoto, elas acabaram removidas para não entediar o espectador. Outras cenas removidas foram com Moa, demonstrando ciúmes em várias ocasiões. E também tem algumas situações cômicas.

😡

😋
Uma das cenas apagadas é com o Riku correndo.
Jogaram fora o trabalho do Hamada, que detesta calor!

As cenas removidas ajudam a dar mais profundidade à história e aos personagens. Achei uma pena isso ter acontecido. E torço para que um dia haja uma versão "Director's Cut". Seria perfeito, uma vez que ele comenta que na verdade todas eram necessárias.


A briga no bar foi a última cena a ser filmada com toda a equipe, com exceção de Hamada,
que fez mais uma.

4 comentários:

  1. Fala, Usys!

    Cada vez tenho mais vontade de ver esse filme! Sempre digo que Geed teve a melhor seleção de elenco dos últimos tempos. E isso que eu já achava o elenco de Orb fantástico. Pela sua descrição, parece que esse filme tem um senso de grandiosidade que faltou no filme do Orb, mesmo com duração meio reduzida.

    Riku Asakura é um grande personagem e gostaria de ver mais sobre seu crescimento. É realmente especial quando as pessoas envolvidas estão com o coração no trabalho. Não é "apenas mais um trabalho", que é o que normalmente acontece.

    Juggler é um personagem que merecia um especial só dele, uma aventura solo. Podia ser só um especial de 40 minutos direto para DVD/Blu-ray, que seria interessante ver ele agindo sozinho.

    Ótima resenha!
    Abraço!

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    1. Obrigado, Nagado!

      Esse filme ficou muito bom! Vale a pena ver! Teve bastante enfoque na ação, com várias referências a filmes de Kung Fu, mas também teve boas cenas de destruição. O cuidado da Tsuburaya em fazer as miniaturas no estilo okinawano é de tirar o chapéu.

      Eu realmente torço pelo Hamada. Ele mostrou que sabe ser ator já desde a tenra idade, conforme vi em outros trabalhos. Espero que ele alce voos mais altos! Mas sempre com um pé no Geed. Para voltar mais vezes.

      Uma coisa legal pro Juggler seria resolver aquele problema com a Biranki. Ela ainda está vagando pelo Multiverso em busca dele. Queria ver a reação dela depois de ver que ele mudou (ao menos um pouco). Mas o que eu queria era um Director's Cut do filme do Geed. Ou uma versão estendida para os fãs adultos, que podem aguentar uma sessão de mais de duas horas.

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  2. O brabo de ver essas matérias sobre os filmes é que dá vontade de assistir absolutamente tudo relacionado a eles XD

    Pela matéria da figura eu já sabia que o Juggler era meio louco, mas vendo essas imagens dele em ação ele parece bem malucão mesmo, aquela apertada é sacanagem hehehe! A Moa parece bem maluquinha também, as caretas são bem engraçadas XD
    E vejo que usar caras de óculos como armas está se tornando uma técnica bem popular, acho que também vou tentar.

    Ah legal ver que tem um local onde os alienígenas moram, é bem parecido com a cidade de ULTRAMAN mesmo!

    Nossa, imagina a emoção do Tatsuomi Hamada ao realizar seu sonho, pelas imagens já dá pra ter uma ideia. Lembro dele do filme de Gatchaman, onde ele é o Jinpei, acho que foi seu aquecimento para a carreira de herói.

    Pelo visto esse blu-ray é bem completinho. A parte mais legal de adquirir esses produtos é justamente ver além do filme, os extras acrescentam muito à experiência e fazem a gente se apegar ainda mais a obra.

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    1. Obrigado, Ronin!

      Pelo menos a série de TV eu recomendo. É bom ver as outras séries para entender algumas coisas, mas dá para acompanhar sem problemas. A Raiha em ação é tudo de bom! Ela é forte e durona! Já a Moa é bem estabanada e engraçada. E as duas são uma boa dupla.

      Tatsuomi Hamada é tenebroso! E ele já fez papéis que ninguém imagina! Em umas entrevistas ele conta como faz e é de se admirar que alguém tão jovem já tenha tanta consciência de seu trabalho. Então ele esteve em Gatchaman? Tenho que procurar por esse.

      Os blu-ray de filmes de Ultraman são bem completos e são os que trazem mais materiais. Os da Toei não têm tanta coisa. Eu até fiquei meio decepcionado. E é vendo essas imagens que a gente vê o quanto de alma que colocam nessas séries e filmes.

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