domingo, 16 de novembro de 2014

S.H. Figuarts Space Sheriff Gavan

Saudações.


Desta vez vou apresentar a versão S.H. Figuarts do super herói Gavan, feita pela Bandai.



Obs.: Não! Ele não é o Jaspion! E, não! Gavan veio primeiro!



宇宙刑事ギャバン (Uchuu Keiji GYABAN, algo como "Policial do Espaço Gavan") foi exibido pela primeira vez no Japão em 1982. A Terra entra na fase da exploração espacial. Para isso, é construída uma gigantesca colônia espacial na órbita do planeta, mas ela é atacada e destruída pela Organização Criminosa Espacial Makuu, liderada pelo demoníaco Don Horror. Makuu quer invadir a Terra e transformá-la em um mundo de pilhagens e corrupção e para impedí-los, a Polícia da Federação Galática, localizada no planeta Bird, envia um Policial do Espaço: Gavan. O herói é filho de um humanóide do planeta Bird, Voicer, e de uma terráquea, Tamiko Ichijouji. Voicer era um Policial do Espaço, mas foi capturado por Makuu. Sendo assim, a missão de Gavan não é só proteger a Terra, mas também encontrar seu pai. Para isso ele assume o nome de Retsu Ichijouji e passa a trabalhar no Clube de Hipismo Avalon, nos arredores de Tóquio.

O seriado foi exibido no Brasil pela Globo como Space Cop, mas não obteve muito sucesso pois muita gente achava que era cópia do Jaspion, quando na verdade Gavan tinha sido criado bem antes.



O seriado, produzido por Susumu Yoshikawa, se tornou o primeiro dos chamados Metal Heroes da Toei, sendo que seu maior representante aqui no Brasil é O Fantástico Jaspion. O seriado inovou ao trazer um herói trajado em uma armadura brilhante, que contava com vários recursos tecnológicos, como veículos e uma espada laser. A ideia surgiu em 1977, ano de estréia de Guerra nas Estrelas e Yoshikawa quis fazer um seriado que incorporasse elementos da ficção científica de Hollywood aos heróis japoneses, criando um novo tipo de personagem. O visual veio de uma ilustração de um herói em uma armadura metálica segurando uma espada no espaço, feita por Katsushi Murakami, renomado desenhista de produtos da Bandai, a quem é atribuída a criação de muitos produtos da empresa, como a linha Chogokin. Também é atribuído a Murakami o atual modelo em que a empresa de brinquedos entra com o design dos heróis. O desenho foi refinado pela seção de design da Popy, que mais tarde se tornou a PLEX, que desenvolveu o visual do Kamen Rider Black.

Também foi nessa série que foi introduzido o sistema de edição de vídeo Toutsu ecg System, usado primordialmente nas cenas de vôo em Kamen Rider (Sky Rider), com o qual foi possível criar vários efeitos especiais. A trilha sonora, composta por Chuumei Watanabe, também é digna de nota, com temas fortes e eletrizantes. Ou seja, houve grande investimento por parte da Toei, com a condição de que a audiência tinha que manter os dois dígitos, caso contrário a série seria cancelada. A aposta foi um sucesso e daí surgiu um novo gênero que durou por mais de dez anos.

Gavan/Retsu Ichijouji foi interpretado por Kenji Ohba, que se tornaria uma das maiores lendas dos seriados japoneses de super heróis. Ohba fazia as cenas de ação de Retsu sem o uso de dublês, mas não usava a fantasia do Gavan. Ele conta em uma entrevista que experimentou usá-la um dia e que percebeu o quanto era difícil se mover dentro dela. Segundo Ohba, era diferente das fantasias de Super Sentai, que ele mesmo usava até mesmo em shows, pois a roupa do Gavan era bem pesada e correr com ela no corpo era bastante exaustivo. Também era difícil de respirar com a máscara.

O seriado teve a participação de vários atores de renome, como Masayuki Suzuki, que continuaria no mesmo papel de Kojiro Oyama nas séries Policial do Espaço subsequentes e se tornaria Henry Rakuchin em Jiraya, o Incrível Ninja. O vilão Sandorba foi interpretado por Ken Nishida, que foi Fumio Kishida em O Regresso de Ultraman e que recentemente fez uma participação especial em 烈車戦隊トッキュウジャー(Ressha Sentai TOQGER). Outros atores notáveis são Hiroshi Miyauchi como o Policial do Espaço Alan , assim como Susumu Kurobe, Kenji Ushio, Hideyo Amamoto, Machiko Soga, Masashi Ishibashi e Shouhei Yamamoto como as formas humanas de alguns monstros Doubleman. Shinichi "Sonny" Chiba, mestre de Ohba, também aparece como Voicer, o pai do herói.


Por alguma razão, o modelo esteve disponível apenas por venda exclusiva no site da Bandai.


O conteúdo da caixa. Os acessórios são quase os mesmos da versão Action Works da Mega House.



Visão de corpo inteiro. O herói tem um visual futurista, representado na figura com partes cromadas, muito bonitas. Pode não parecer, mas o modelo não usa partes em metal e por isso é bem leve.



Close do rosto. A máscara é bem detalhada e muito próxima da verdadeira. O visor não usa material transparente.



Está incluída uma cabeça intercambiável com o Laser Scope ativado. O visor desta vez é feito de material transparente, mas é um pouco turvo.







A pintura de todas as "luzinhas" é feita com perfeição. A armadura (Combat Suit) tem pintura cromada, muito bonita, mas é preciso manipular com cuidado pois pode pegar marcas de dedos. Poeira pode grudar facilmente e deixar na caixa pode fazer a pintura descascar, algo que também ocorre com o tempo. Ou seja, é bem difícil de se lidar.



As ombreiras não são móveis, o que prejudica um pouco a abertura dos braços.



Em compensação o antebraço pode ser girado.


Os pulsos usam articulações multidirecionais.



A cintura tem uma articulação extensível.



Normalmente o torso só pode se flexionar até aqui.


Mas usando a articulação extensível, ele pode se dobrar até a posíção da foto. Uma pena que não haja uma cobertura como no primeiro Ultraman.



As coxas possuem articulações extensíveis, mas no meu exemplar a coxa direita ficou frouxa.






- JOUCHAKU!
O Policial do Espaço Gavan leva apenas 0.05 segundo para se transformar.


Trívia: 蒸着 (Jouchaku) designa o processo de "deposição", para fazer pintura cromada em brinquedos ou em visores de capacetes.





- Policial do Espaço! Gavan!
O modelo é bem articulado e pode fazer as poses de transformação e de apresentação sem grandes problemas, a não ser na hora de agachar.
A pose de transformação foi criada por Osamu Kaneda, o diretor de ação do seriado. Kaneda havia pedido a Kenji Ohba que inventasse algo, mas ele só veio com a pose levantando o braço. O diretor disse "Só isso?" e bolou o resto dos movimentos.


Gavan se movimentava com saltos fazendo uma pose característica. Uma pena que a limitação dos ombros não ajuda.





- LASER! Z BEAM!
Gavan não contava com uma pistola de raios como seus sucessores Sharivan e Sheider, disparando raios da mão. O nome do raio vem de um dos nomes provisórios do personagem: 宇宙刑事Z (Uchuu Keiji Z, "Policial do Espaço Z").



Estão incluídas mãos para representar o golpe.


- DIMENSION BOMBER!


- SPIRAL KICK!!!
Gavan contava com vários golpes usando seu próprio corpo.


De fato, Gavan era muito bom com luta corporal, usando chutes...


... coices...


... e rasteiras.



Além do bom e velho truque de parar o golpe do inimigo para arremessá-lo.






Isso sem falar no pulo chutando a parede seguido de agarrão e rolamento com arremesso.



Gavan sacava sua espada de um compartimento no braço.


Está incluída uma mão para segurar a espada, mas é um pouco apertada. Felizmente ela é feita de material maleável e por isso é preciso apenas um pouco de jeito.


Gavan tinha vários golpes com a espada.






- LASER BLADE!
Gavan conseguia envolver a lâmina com energia Birdnium, transformando-a em uma espada laser, uma característica que foi usada em todos os heróis seguintes de alguma forma.




- GAVAN DYNAMIC!!!
O golpe fatal com a espada. A música de fundo dessa hora é empolgante e existem muitas variantes e arranjos que foram usados em outros seriados e até mesmo em desenhos animados como Daigaioh e Godannar.



Está incluída uma espada com efeito para esse golpe.





A peça é bonita, com pintura em degradê, mas é um pouco pesada e por isso difícil de usar. Para a foto acima tive que apoiar a peça no monstro.


- GAVAN FINAL DYNAMIC!!!
Esta variante do golpe foi usada no último capítulo da versão em quadrinhos feita por Morihiko Ishikawa, publicada na revista Bouken Oh em 1983.



Comparação com a versão Action Works, da Mega House (apresentei no Fórum Limited Edition e movi a matéria para cá, link aqui). A Action Works não usa pintura cromada, se aproximando mais do traje usado para cenas de ação.



A proporção também é diferente, sendo que a Action Works representa o biótipo de um japonês típico, troncudo com pernas curtas.


Com o Laser Scope ativado. Os olhos da versão Action Works são feitos em material transparente.


As pernas da versão S.H. Figuarts são mais longas e têm a musculatura da coxa modelada, como na Action Works.


A ombreira da versão Action Works é móvel e o ombro tem uma articulação extensível.


Sendo assim, a abertura dos braços tem menos limitações...


... e ela consegue unir as mãos à frente do peito sem precisar girar o antebraço.


Por outro lado, os pulsos da versão S.H. Figuarts são bem mais flexíveis.


O torso também é muito mais flexível, devido à articulação extensora.


A S.H. Figuarts tem uma abertura de pernas muito maior, chegando a um ângulo que nem Kenji Ohba conseguiria.


A Action Works vem com quatro espadas. Duas delas (à esquerda) tem o cabo no formato dos seis primeiros episódios do seriado. As outras têm o cabo mais simplificado, mas os da versão S.H. Figuarts tem mais detalhes pintados. Ainda, a S.H. Figuarts não vem com uma lâmina de energia sem efeito.




As espadas da versão Action Works podem ser usadas sem problemas na S.H. Figuarts. Por isso, quem já tem essa versão não fica no prejuízo.


O contrário pode ser feito, embora só a espada com efeito tenha alguma utilidade.



E assim termino a apresentação da versão S.H. Figuarts do Policial do Espaço Gavan, feita pela Bandai. Eu fico um pouco dividido ao avaliar essa figura devido à pintura cromada. Por um lado, ela é muito bonita, representando bem um "herói metálico" e usando um fundo preto, traz direitinho o clima do seriado. Por outro lado isso faz com que o modelo seja bem difícil de se lidar, pois ela é suscetível a marcas de dedos, pode descascar com o tempo e poeira pode pegar com facilidade. Fotografar também não é tarefa fácil, devido à superfície reflexiva, sendo necessário muito cuidado para que não apareçam objetos espelhados (e mesmo assim não foi possível evitar isso completamente). O controle de qualidade também precisa ser revisto, já que no meu exemplar a coxa direita ficou frouxa, e já vi relatos de problemas na pintura cromada. A falta de uma peça representando a Laser Blade sem efeito também é um ponto negativo. A Bandai já anunciou um novo modelo e espero que esses defeitos sejam sanados. E torço para que seja em venda aberta, já que para quem mora fora do Japão é muito difícil (e caro) conseguir esses modelos exclusivos. Recomendo para os fãs, mas é preciso ter em mente as condições acima. Ou talvez seja melhor esperar pelo novo modelo.

5 comentários:

  1. Muito legal, Usys!!! imagino que exista a versão "quase idêntica" do Gavan Type-G, que revigorou de vez os Uchuu Keijis com a chegada dessa nova geração.

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    1. Obrigado, Bruno Seidel!

      De fato existe, sim. Mas acabei não comprando porque queria retratar a época em que o Gavan ainda estava na ativa. Só vi a aparição do Type-G em Go Busters e nas NEW GENERATION, mas gostei muito do personagem e vejo que o ator sabe fazer cenas de ação.

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  2. olá,não conhecia shaider e gavan,tbm gosto dos seriados jaspion e metalder.alguém poderia disser-me aonde posso comprar ás roupas metal hero por favor.

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    1. Saudações, DestroyerAndré Silver!
      Essa é difícil. Mesmo no Japão deve ser duro de encontrar. O negócio talvez seja fazer uma por conta própria, mas ainda assim é bem custoso.

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